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Entrevista de Telma Mantovani, Diretora de Transição de Carreira da STATO, para a edição de julho da Você S/A:

Não deixe se enganar pelo estilo moderno e inovador – alguns modelos do documento podem ser visualmente atraentes, mas pouco funcionais. Saiba quais tendências permanecem e quais não passam desta estação.

Por Anna Carolina Oliveira

Em julho do ano passado, a startup focada em formatação de currículos Enhancv desenhou um modelo diferente para Marissa Mayer. Ícones, gráficos e tópicos curiosos deram uma cara nova ao documento, que costuma ser bem formal. Em relação ao visual, não há dúvida: o novo formato inspirou muitos profissionais. Quanto à funcionalidade, não se sabe. Talvez a ex-CEO do Yahoo possa esclarecer a dúvida agora; afinal, ela acabou de perder a sua cadeira com a conclusão da venda do Yahoo para a Verizon. Apesar de levar uma cifra generosa – o jornal The New York Times especula o total de 186 milhões de dólares –, a executiva, aparentemente, não tem outro emprego à vista. Hora de colocar o currículo à prova.

O modelo criado pela Enhancv rodou pela internet, gerou comentários e ganhou muitos adeptos – até hoje, consultores e recrutadores recebem arquivos com esse layout. A moda, no entanto, não deve ser seguida por todos. “Pode funcionar em áreas ligadas à criatividade e à inovação, mas deve-se tomar cuidado ao reproduzir alguns modismos”, diz Marcela Esteves, da Robert Half, empresa de recrutamento de São Paulo. Campos tradicionais, como o financeiro, o jurídico e o da engenharia, ainda preferem formatações mais simples. Há também a questão da fluidez da leitura: os recrutadores já estão acostumados com o padrão, o que torna a triagem mais rápida para alguém que analisa dezenas de currículos por dia. Construir um documento pensando no tempo é, aliás, um dos pontos que deveriam receber maior atenção. Segundo uma pesquisa do site americano de busca de emprego The Ladders, um headhunter investe, em média, 6 segundos em cada currículo. […]

No caso de Marissa, as informações foram organizadas a fim de ocupar apenas uma página, uma prática comum nos Estados Unidos e, No Brasil, recomendável para cargos de liderança. […]

QUEM É VOCÊ?
Não é obrigatório, mas o candidato pode criar um subtítulo para posicionar-se profissionalmente para o recrutador. “Desde que o currículo apresente dados sustentando tal posicionamento”, diz Telma Mantovani, Diretora de Transição de Carreira da STATO, empresa de Recolocação Profissional de São Paulo. Cuidado, apenas, com informalidades, como proud geek (“geek com orgulho”, em português)

ORGULHO NA MEDIDA
Os motivos pelos quais alguém se orgulha são pessoais, por isso o ideal é ser objetivo ao explicar sua vaidade. “No caso da Marissa Mayer, seria aconselhável detalhar como ela inspira as mulheres no segmento de tecnologia”, diz Telma Mantovani, da STATO. Para a especialista, não basta citar a presença na lista da Fortune, é preciso mostra ações práticas que comprovem o fato de a executiva servir de modelo.

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