Em artigo publicado no jornal O Povo, Lucia Costa propõe uma reflexão sobre a Geração Millennials:

Seguir pelo caminho da reclamação é perigoso. E, para a maior parte dessa geração, parece que esta é a única opção

Caracterizados em boa parte por profissionais eternamente descontentes, os jovens nascidos entre as décadas de 1980 e 1990 têm deixado de ser os Millennials para se tornar a Geração Mimimi. O nome não é à toa: para muitos deles, o pensamento construtivo e a solução de problemas não raramente dão lugar a infindáveis reclamações. É como se eles não tivessem tempo para executar. Precisam liderar; querem estar sempre à frente das decisões.
Talvez porque depois de seus pais terem batalhado duro para vencer, essa geração conquistou as coisas com muito mais facilidade. Não foi preciso, para a maior parte deles, arregaçar as mangas e ir à luta, vivenciar tudo aquilo o que as gerações anteriores passaram para “chegar lá”. Estão vivendo apenas agora a sua primeira crise, depois de uma vida toda de possibilidades. O resultado: menos flexibilidade, menos resistência às frustrações e pressa, muita pressa.

São jovens que têm muito potencial. Com boa formação, conhecimento de idiomas e boa bagagem cultural, têm tudo para dar certo, construindo uma carreira de sucesso e fazendo a diferença por onde passarem. Mas, em vez disso, ficam focados no que não têm, no que não está dando certo. A Geração Mimimi talvez esteja criticando demais sem propor novas ideias. E a crítica pela crítica, principalmente em um momento complicado como o que atravessamos, não vai resolver os nossos problemas.

É claro que toda generalização é perigosa e o objetivo deste texto não é decretar uma caça a esses jovens. Pelo contrário. Nós dependemos deles – e eles têm todas as condições para realmente fazer a diferença. O alerta aqui é para os efeitos do excesso das reclamações e do imediatismo, que só geram falta de compromisso e baixa nos resultados. Seguir pelo caminho da reclamação é perigoso. E, para a maior parte dessa geração, parece que esta é a única opção.

O que as pessoas que estão nesse caminho de constante insatisfação deveriam entender é que, para progredir na carreira, é preciso buscar a solução mais dentro de você do que fora. Flexibilidade, resiliência e protagonismo são fundamentais. É hora de partir para a ação e deixar de culpar a empresa, o chefe, o outro, a falta de recursos. As organizações estão fazendo mais com menos. Todo mundo provavelmente está sobrecarregado. Quem se dedicar mais e se sobressair nesse cenário vai se dar melhor e crescer.

E esse é o momento de esses jovens, com tanto potencial, olharem para essas oportunidades. Eles precisam pegar o que trazem de novo e adicionar uma atitude mais positiva. Não só criticar. Não aguentamos mais tanto mimimi.