Carolina Prado e Gabriela Guimarães
Colaboração para o UOL

Ninguém está livre de ganhar um rótulo no trabalho. Existem os positivos, mas não é deles que vamos falar agora. É sobre os que a gente não pede para ganhar, mas as posturas do dia a dia os jogam no nosso colo. Mas dá para reverter a situação e, ainda, manter coisas boas de cada fama negativa

Fofoqueiro
Existem prazos para as empresas divulgarem informações para a equipe, por isso, não é tão inofensivo falar antes sobre a nova contratação que descobriu.
Como mudar a fama: escolha com quem vai falar e de que forma –você pode até ajudar alguém que será afetado com a notícia, mas precisa passar a informação correta. Quando o assunto surgir na sala do café ou estiverem falando mal de alguém, fuja. Diga que tem muito trabalho e precisa voltar para a mesa.
O que vale manter: sua habilidade de observar e boa comunicação, que ajuda a ter uma boa rede de contatos

Faz-tudo
Colocar a mão na massa é legal, mas o comportamento está relacionado com a centralização, com achar que ninguém é tão bom quanto você para realizar tarefas.
Como mudar a fama: entenda que você é parte do processo e seus colegas também devem desenvolver competências. Comece a dizer “não” e a pedir ajuda, se estiver sobrecarregado. Com excesso de trabalho, você faz entregas medianas, que afetam a sua imagem.
O que vale manter: a sua flexibilidade. Procure também não perder a proatividade ao frear o ímpeto de fazer tudo.

Desligado
Desligar-se do entorno pode ajudar na concentração, o problema é que você pode perder informações importantes nesses momentos, enviadas por e-mail ou ditas pelo colega do lado.
Como mudar a fama: crie um sistema para não perder o foco na sua tarefa, mas também um jeito de ficar atento com o que se passa ao redor. Um exemplo: ajuste o alarme do celular para a cada uma hora você olhar o seu e-mail ou qualquer outra plataforma de comunicação do trabalho.
O que vale manter: a sua capacidade de transportar-se para outro mundo, não importa onde esteja, o que costuma ajudar na criatividade.

Sério
Ser sisudo pode passar a imagem de inacessível e pouco sociável. Ninguém se sustenta na carreira apenas fazendo boas entregas, é preciso ter bons relacionamentos.
Como mudar a fama: já ajuda muito você sorrir ao dar “bom dia”, assim como rir de alguma piada feita na reunião e tentar relaxar quando estiver com os colegas, na hora do almoço ou do café.
O que vale manter: a firmeza de atitude, que inspira confiança. Você, provavelmente, consegue bancar ideias pouco populares, porque não tem medo de cara feia.

Briguento
É um rótulo visto como um fator de desarmonia dentro do ambiente de trabalho. O briguento afasta as pessoas, que ficam com medo de causar um incêndio apenas com uma conversa.
Como mudar a fama: ao melhorar a sua comunicação. É preciso ouvir as outras ideias e saber se posicionar. Os seus argumentos devem ser baseados no seu conhecimento –além de dados e estatísticas– e não na sua opinião.
O que vale manter: sua energia para tomar decisões com rapidez. E também a sua natureza provocativa, que, geralmente, faz as pessoas pensarem.

Apressado
Ao correr contra o relógio, a gente se arrisca a passar por cima de etapas importantes e entregar um trabalho cheio de erros.
Como mudar a fama: crie o hábito de tirar as dúvidas antes de começar uma tarefa e escute com atenção as respostas –em geral, quem vive com pressa escuta pouco.Monte um cronograma de entrega que inclua a revisão do que foi feito. O foco deve ser na qualidade do resultado e não na quantidade de coisas que tira da frente.
O que vale manter: a agilidade em tomadas de decisões. Quem é apressado costuma ter energia e flexibilidade para mudar a rota, se for preciso.

Desanimado
Com praticamente zero motivação, essa pessoa tende a ser o rei da procrastinação. Quando a produtividade cai, a fama dele só piora, prejudicando a vida profissional.
Como mudar a fama: o primeiro passo é entender o motivo dessa falta de energia e agir na causa. O problema é a empresa? A profissão? Também ajuda olhar menos para os problemas e mais para os objetivos. Pode ser necessário enfrentar perrengues para chegar onde quer. O que vale manter: nesse caso, nada. Caso não consiga descobrir sozinho a causa do desânimo, vale procurar ajuda numa terapia.

Fontes: Andrea Deis, coach de carreira e pedagoga com especialização na área comportamental. Regina Dorriguello, diretora de Talent Development da Stato, consultoria de Recursos Humanos. Paulo Cota, coach empresarial, diretor da empresa Co-laborar.