Pesquisa mundial da Intersearch, da qual a STATO é parceira desde 1994, sobre as questões que mais preocupam os Conselhos. A matéria traz a análise de Renata Filippi, Diretora Geral de Executive Search da STATO:

Por Leticia Arcoverde | De São Paulo

As transformações causadas pela tecnologia e a perspectiva de mais instabilidade geopolítica são preocupações na mente dos conselheiros de administração de todo o mundo. Na agenda dos colegiados, o resultado será um foco maior no futuro do negócio e em processos digitais. Isso ainda não se reflete, no entanto, na busca por mais conselheiros com experiência no tema. A conclusão é de pesquisa da empresa de recrutamento executivo Intersearch, que teve participação de mais de mil membros ou presidentes de conselho de 52 países, entre eles o Brasil.

A disrupção tecnológica foi considerada a tendência de maior impacto para a sociedade e para a economia por 77% dos conselheiros entrevistados, seguida da instabilidade geopolítica e das mudanças nos dogmas políticos, citadas por 64%. As tendências foram lembradas com muito mais frequência que a terceira e a quarta colocadas, as mudanças nas tecnologias de comunicação (32%) e o aumento da regulamentação por parte dos governos (29%).

Quando questionados sobre as tendências que mais devem impactar o trabalho interno de seus conselhos, duas preocupações relacionadas à incerteza também se destacaram na comparação com as demais. Para 60% dos respondentes, as discussões do colegiado adotarão um foco maior no futuro do negócio, e menor em tarefas relacionadas a controles. Um número próximo (59%) destacou a necessidade de possuir entendimento da tecnologia e das transformações que ela gera.

“A questão de como a política e a tecnologia estão rompendo a forma como as pessoas se comportam está muito em pauta”, diz Renata Filippi, diretora executiva de recrutamento da Stato, empresa sócia da Intersearch no Brasil. “Até pouco tempo atrás, os conselhos estavam constituídos com um viés de controle muito forte. Agora, quando se fala de estratégia e de futuro, ter alguém com expertise no novo pode ser interessante.”

Menos de um quarto dos respondentes acham, no entanto, que as competências de inovação e tecnologia estão bem representadas nos conselhos dos quais fazem parte. Se eles pudessem adicionar mais um membro ao colegiado, os profissionais com essa experiência foram os mais citados. A estratégia de inovação e de gestão de talentos das empresas são as duas áreas em que os colegiados se consideram menos informados.

A grande maioria dos conselheiros (74%) diz obter indicações para ocupar as cadeiras do colegiado das suas próprias redes de contato. Para Renata, uma consequência disso é incluir apenas perfis parecidos com os que já integram o conselho. Menos da metade (45%) reporta que a composição do colegiado já foi modificada após adoção de um foco maior em diversidade. Os maiores aspectos buscados nesse sentido é a representação feminina e a variedade de competências.

Se globalmente a busca por competências novas para o conselho já é incomum, no Brasil ela é ainda mais rara, segundo Renata, por causa da maturidade da maturidade da governança corporativa no país. Com exceção de grandes empresas que hoje já são vistas como modelos no assunto, a maioria ainda está na fase de privilegiar profissionais de controle e finanças para discutir resultado e a própria governança. “Com toda a instabilidade política e o impacto da corrupção nos negócios, a pauta ainda está muito forte na questão de compliance, controles e segurança”, diz.

Renata Filippi, Diretora Geral de Executive Search da STATO