Gabriel Toschi, Diretor Executivo da STATO, é uma das fontes de matéria publicada na Revista Huma:

A tecnologia está moldando o formato de trabalho. Nesse cenário, companhias e trabalhadores podem se beneficiar dessas transformações. Saiba como!

Inteligência artificial, automação, internet das coisas e outras tecnologias estão eliminando postos de trabalho em uma velocidade preocupante. Na opinião de especialistas, em poucos anos muitas das atividades exercidas atualmente por humanos serão realizadas por máquinas.

É o que pensa o estudioso Federico Pistono, pesquisador italiano dedicado a analisar o impacto do crescimento exponencial da tecnologia na sociedade. Em seu livro “Os Robôs Vão Roubar Seu Emprego, Mas Tudo Bem: Como Sobreviver ao Colapso Econômico e Ser Feliz”, Federico traça dois cenários conflitantes. No primeiro, ele argumenta que a automação vai atingir todas as áreas e isso vai gerar um colapso no atual sistema econômico. No segundo, Federico acredita que essa nova realidade pode ser uma boa notícia, caso a humanidade aprenda a aproveitar as oportunidades oferecidas pela tecnologia para reformular o atual sistema e adotar um novo contrato social.

Afinal, quais serão as capacitações em alta no futuro? Que tipo de competências será preciso desenvolver para continuar sendo fundamental no mercado de trabalho? Essas são algumas das questões levantadas no estudo “Workforce of the Future – the competing forces shaping 2030”, realizado pela empresa de consultoria PwC com mais de 10 mil profissionais e empresas de diversos setores em cerca de 140 países. De acordo com a pesquisa, atividades baseadas na rotina e na repetição provavelmente passarão a ser realizadas cada vez mais por robôs. Com isso, funções intelectuais exercidas por profissionais com características como liderança, colaboração, inteligência emocional, criatividade, adaptabilidade e capacidade de resolver problemas deverão ser mais valorizadas.

Que caminhos trilhar?
Segundo o Diretor Executivo de Transição de Carreira da STATO Consultoria, Gabriel Toschi, é fundamental que profissionais e empresas se preparem para esses novos cenários. Mas como fazer isso? Gabriel reforça que é preciso desenvolver os 4 “Cs” da adaptabilidade, conceito criado por Mark Savickas, professor e presidente do departamento de ciências comportamentais no Northeastern Ohio Universities College of Medicin.

Conforme explica o diretor, o primeiro “C” a ser avaliado é a Consideração. “Nesse item, o profissional deve analisar o que está acontecendo com o mercado e quais são as possíveis tendências do negócio e da área em que atua. Isso significa se preocupar com a carreira e traçar trilhas de desenvolvimento de acordo com os diferentes cenários”, destaca. Gabriel reforça que o segundo “C” é o Controle, que complementa o primeiro item. “Se eu avalio as situações e começo a prever o que pode acontecer à minha carreira, passo a ter controle sobre isso e posso contornar possíveis desgastes. Através de uma ferramenta específica, como um treinamento ou um curso de idiomas, por exemplo”, comenta o diretor.

O terceiro “C” é a Curiosidade. Para ele, a velocidade das mudanças decorrentes do avanço tecnológico tem obrigado as pessoas a serem originais e “fora da caixa”. “Os profissionais precisam estar sempre em busca de inovação e conhecimentos novos. Não dá para acomodar e esperar ‘a vida levar’: é preciso ser protagonista”, reforça.

Para finalizar, Gabriel destaca que o último “C” é o da Confiança. “Muitos colaboradores estão na zona de inércia’, que é a intenção sem a ação. Isso significa que até querem buscar novos conhecimentos, mas não colocam o desejo em prática e não têm confiança para agir. Essas pessoas precisam entrar na zona de ‘expansão’. Isso porque toda decisão de carreira é um construto, portanto as pessoas precisam fazer escolhas com um alto nível de solidez”, completa.

Muito além das competências técnicas

Ana Artigas, Psicóloga, Coach e autora do livro “Inteligência Relacional”, argumenta que cada vez mais as competências técnicas serão substituíveis por robôs, já que elas estão vinculadas a conhecimento, enquanto que as competências comportamentais se
tornarão mais importantes, pois são relacionadas a atitude. “Sem sombra de dúvidas, é fundamental se manter atualizado e em busca de novos aprendizados. Mas o contato com o outro, a relação e a convivência não podem ser automatizados”, explica a psicóloga. Para Ana, existem seis competências fundamentais que devem ser desenvolvidas pelos profissionais do “futuro”. “Eu gosto de dizer que elas compõem o conceito de Classe. O que é isso? Classe não é o status social ou o estilo de roupa, por exemplo. Classe a gente carrega sempre pela vida e faz parte da forma como nos relacionamos com o outro e em sociedade”, pontua.

CLASSE
Consciência: Esse primeiro tópico está relacionado ao autoconhecimento. “Qual o meu nível de consciência sobre meu próprio comportamento? E com o comportamento do outro? Quanto mais a gente se conhece e descobre nossos pontos fortes e aqueles a serem desenvolvidos, ou seja, os motivadores e o que gostamos de verdade, mais chances de acertar e de perceber o valor das pessoas”, ressalta Ana Artigas.

Liberdade: Ana destaca que a segunda competência se baseia no respeito aos limites do outro. “Como eu posso manter meu espaço sem interferir em outras pessoas? É fato que a minha liberdade termina quando começa a do outro e precisamos ter consciência disso. Eu preciso buscar sobreviver sem impactar na vida de quem me cerca”, garante a psicóloga.

Atração: Esse conceito se refere à imagem que o profissional quer passar ao mercado. “Como eu quero ser visto pelas pessoas? O que eu quero deixar de legado? Como eu me torno ‘imortal’ para quem eu convivo? São pontos importantes a serem considerados e devem nortear meu comportamento”, reflete ela.

Segurança: Para Ana, a segurança tem a ver com como as pessoas se comportam para vender uma ideia ou projeto. Ou seja, como ela se posiciona diante do outro e mostra seu valor.

Sabedoria: Já essa competência, que se difere da inteligência, está relacionada à vivência e à busca por conhecer novas emoções. Na opinião da psicóloga, quanto mais sensações o ser humano conhece, mais ele desenvolve o seu cérebro.

Empatia: Por fim, a última habilidade está relacionada a como nos portamos frente à dor e à dificuldade do outro. “A empatia está muito vinculada também à autoestima, porque você só consegue ajudar o outro se assumir uma posição de neutralidade. Também é fundamental ser empático com pessoas com quem não temos afinidades, assim desenvolvemos as diferenças no ambiente de trabalho e vencemos nossos preconceitos”, finaliza Ana Artigas.

Problema x oportunidade
Na opinião de Roberto Martins, Gerente Sênior da PwC Brasil, as empresas precisam estar preparadas para atrair talentos que possuam essas habilidades, mas também devem desenvolvê-las em suas equipes. “Para que isso aconteça, as companhias têm a necessidade de se apropriar desse tema e entender que o desenvolvimento tecnológico vai impactar o futuro dos empregos. Nesse sentido, o papel do RH é fundamental e deve estar centrado em três grandes pilares: Qual a estratégia para atrair a força de trabalho? O que eu ofereço para essas pessoas? Como eu posso usar a tecnologia como uma oportunidade e não uma ameaça?”, explica o gerente.

Ele destaca ainda que as organizações e seus colaboradores devem estar preparados para aprender essas novas competências. “Precisamos desenvolver nas pessoas a capacidade de se adaptar e ‘aprender a aprender’. No passado, o acúmulo de conhecimento trazia resultado para aquele profissional. Ou seja, ele se desenvolvia e era reconhecido por isso dentro da organização. Hoje, o conhecimento está em todos os lugares, de forma rápida, e não é mais de propriedade de um único indivíduo. Por isso, precisamos aprender a usar a tecnologia de forma adequada para que, de fato, possamos entregar resultados e a criação humana se torne mais efetiva e valorizada”, destaca Roberto.