É ele quem dita o ritmo e a forma como as coisas devem ser feitas. É também quem tem a missão de ser um espelho para a equipe. Como descreve Regina Dorriguello, Diretora de Talent Development e Outplacement da STATO, “o líder é o famoso tocador de bumbo”.

Mas nem sempre a liderança é o caminho natural – e assertivo – na trajetória de carreira: “há profissionais que têm clareza de que não querem trilhar seus caminhos desta forma e isso merece atenção especial”, sinaliza. Já outros, embora busquem a liderança, não conseguem manter um bom relacionamento interpessoal. Ambos os casos explicam por que tantos líderes não se saem tão bem na função, sendo que sempre foram excelentes tecnicamente.

Neste bate-papo com a nossa especialista, que lida em seu dia a dia com questões relacionadas à liderança e seu impacto no desenvolvimento dos negócios, entramos a fundo no tema. Acompanhe:

Regina Dorriguello

1 – Qual a importância da liderança para o engajamento e produtividade da equipe?
O líder é o famoso “tocador de bumbo” da equipe. É ele quem dita o ritmo e a forma como as coisas são feitas. A equipe espelha-se no líder e tem expectativa de que ele dite o modus operandi. Uma equipe com liderança fraca ou ausente pode ter clareza dos objetivos, mas certamente se perderá na forma e tempo de fazer o melhor da melhor forma.

2 – Afinal, qualquer profissional pode ser um líder?
Com o devido investimento em desenvolvimento e aprendizado sim. Além disso, devem ser analisados os objetivos de carreira de cada profissional. A liderança nem sempre é o caminho natural para todos os profissionais. Há profissionais que têm clareza de que não querem trilhar seus caminhos desta forma e isso merece atenção especial.

3 – E as características fundamentais para um bom gestor? É possível traçar um perfil?
Não acredito que haja receita pronta de um líder, mas certamente, precisa gostar de pessoas. Acredito que o papel mais importante de um líder é o de mobilizar times em prol de um resultado. É uma tarefa e tanto unir pessoas diferentes – e a diversidade é obrigatória nas equipes –, desenvolvê-las, escutá-las, torná-las parte do todo e fazer com que elas marchem na mesma direção. Independentemente do ramo de atuação, foram, são e sempre serão pessoas que levarão às empresas aos resultados. O líder é o catalisador dos talentos.

4 – E os principais desafios que um líder deve saber conduzir?
Com tantas mudanças no mundo, cada vez mais desafios aparecerão. É a diversidade, gêneros, gerações, geração X, Y, Z, Millennials, enfim. Cada vez mais é necessário que o líder entenda que seu papel é o de engajar o time para um mesmo propósito e extrair da diversidade todas as suas potencialidades. É necessário ser presente, ouvir e conciliar a tarefa de estar atento aos resultados e liderar um time. A equação nem sempre fecha. No dia a dia, o peso de apresentar os resultados faz com que o líder deixe de lado a equipe e isso se reflete em falta de motivação, de entusiasmo e até boicotes. Entender que estar próximo da equipe e atento às necessidades das pessoas pode impulsioná-las a darem o seu máximo trará os melhores resultados certamente.

5 – Então, quais sinais indicam que o líder não está cumprindo bem o seu papel?
Ah, se os sinais fossem claros, as organizações poderiam agir rapidamente e evitar uma série de estragos. Em sua esmagadora maioria, líderes estão nesta posição porque eram excelentes tecnicamente, entregavam bem. Quando chegam à liderança, além de continuarem entregando, precisam gerenciar pessoas. Na correria do dia a dia, a alta gestão enxerga os resultados, não quem os entrega. Isso faz com que não consigamos ter clareza sobre o real trabalho do líder: ele continua fazendo ou mobiliza a equipe para que ela entregue? Muitos líderes não buscam ajuda para desenvolverem suas competências de gestão de pessoas e, levados pela necessidade de entrega de resultados, deixam de delegar, de desenvolver pessoas, de formar sucessores. Muitos sinais começam a aparecer: equipe desmotivada, aumento de absenteísmo, aumento de turnover e até mesmo impacto em resultados de pesquisa de clima. Com toda a rotina pesada, nem sempre as medidas necessárias são tomadas antes de um estrago ser causado. Mais da metade dos processos de Coaching realizados hoje para líderes vêm com essa necessidade: desenvolver as competências de liderança para um profissional que é, sem dúvida, excelente tecnicamente. Há uma máxima no mercado que diz que alguns líderes dão resultados excelentes, mas deixam um rastro de sangue pelo caminho. Esse, sem dúvida, é um sinal ruim.

Responsável editorial: Jeniffer Villapando

Quer saber mais sobre o tema “Liderança”? A Você S/A deste mês traz matéria com participação da STATO sobre os sinais de que o líder está sendo negligente com a equipe e como reverter esse cenário. Acesse:

Seu chefe está te negligenciando? – VOCÊ S/A