Heitor Peixoto fala sobre a importância do MBA em matéria publicada no Valor Econômico. Confira os principais destaques:

Por Adriana Fonseca, para o Valor

Ao contrário do que muita gente pode supor, ter um MBA no currículo não é primordial. Ainda que o título seja “desejável”, na opinião da headhunter Carolina Cabral, gerente de recrutamento da consultoria Robert Half, foi-se o tempo que o curso era garantia de sucesso profissional. “Até um tempo atrás, o MBA era como uma medalha que credenciava para posições maiores na empresa”, afirma Ricardo Basaglia, diretor executivo da consultoria de recrutamento Michael Page. Só que com a popularização desse tipo de curso e a complexidade das organizações, o MBA deixou de ter esse status. “Hoje, vemos pessoas que chegam às posições mais altas sem ter cursado um MBA, e tem gente com MBA que não alcança o topo”, diz Basaglia.

Isso não significa que o curso não seja mais relevante. Longe disso. “MBAs continuam sendo importantes, mas se o profissional não for capaz de aplicar na prática o conhecimento adquirido para contribuir com a organização, o curso perde o valor”, explica o headhunter da Michael Page. Para ele, o maior diferencial de um executivo são os resultados apresentados em cada cargo exigido.

Uma pesquisa recente da consultoria LHH com mais de 300 gestores e recrutadores mostrou que a formação acadêmica é o item com maior peso para 60% dos entrevistados. “Uma boa formação é relevante, porque revela que a pessoa quer aprender algo novo”, diz Irene Azevedo, diretora de transição de carreira na LHH.

Heitor Peixoto, diretor de executive search da consultoria STATO, concorda que atualizar-se constantemente é essencial para qualquer profissional que quer subir na carreira. Mas, na visão dele, nem sempre o MBA é a melhor opção. “Não ter um MBA não prejudica ninguém no processo de seleção. Prejudica não se atualizar”, diz.

Entender como é o processo seletivo dos MBAs é um dos quesitos a serem analisados na hora de escolher o programa. “É importante olhar quem serão os colegas, porque disso vai depender o nível das discussões em sala de aula”, afirma Silvio Laban, diretor executivo da Associação Nacional de MBA (Anamba). Laban alerta que, diante de tanta oferta no mercado, é preciso ter alguns cuidados para saber o que está sendo comprado.

Não há regulamentação específica para os cursos de MBA no Brasil. De forma geral, um curso de MBA se encaixa na classificação latu sensu e não confere, portanto, título de mestre. Mas há exceções, como o Full-Time MBA do Coppead, da UFRJ, um programa gratuito de 700 horas, ministrado no Rio de Janeiro e que exige dedicação integral do aluno.

Ao analisar as ofertas, vale se atentar à estrutura curricular do programa. Laban explica que todo curso de MBA deve estar relacionado à área de administração de empresas – afinal, o BA da sigla vem disso: “business administration”. Isso significa que o curso deve entregar a formação completa de um gestor. Um MBA em Finanças, por exemplo, não pode focar apenas em finanças. Deve também passar por disciplinas como liderança e estratégia de negócios, para citar algumas. “Se o curso se diz MBA e não passa por administração de empresas em sua estrutura curricular deve ser avaliado com muita cautela”, diz Laban.

Algo que pode ajudar na hora de escolher o curso é ver se o programa tem credenciais externas, como da Anamba, Amba (Association of MBAs), Equis e AACSB. Conferidas por instituições independentes, as acreditações funcionam como da Anamba, Amba (Association of MBAs), Equis e AACSB. Conferidas por instituições independentes, as acreditações funcionam como uma espécie de selo de qualidade. “É a garantia de um olhar externo sobre o curso”, diz Laban. A Anamba, por exemplo, certificou alguns programas da Fecap (Fundação Escola de Comércio Exterior Álvares Penteado), FGV/EAESP (Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas), FIA (Fundação Instituto de Administração), Fipecafi, Insper, Katz Graduate School of Business e Saint Paul.

Por fim, mas não menos importante, vale avaliar o corpo docente e conversar com quem está fazendo ou já concluiu o programa. “Cada curso tem o seu tempo. Avalie se o programa está em sintonia com o seu momento profissional”, conclui Laban.