Matéria publicada na Folha de S. Paulo com participação de Paulo Dias, Diretor de Executive Search da STATO. A reportagem conta ainda a história da Innovativa, consultoria que surgiu a partir da aproximação entre assessorados STATO durante o programa de Outplacement:

Abrir empresa e aceitar uma vaga temporária ou salários mais baixos são saídas

Maeli Prado
BRASÍLIA

Gerente de negócios para a América Latina de uma multinacional do agronegócio, Heloisa Beigin, 56, se viu desempregada no final de 2014, depois de quase 30 anos de uma carreira em grandes empresas. Três anos após a demissão, atua em um nicho aberto pela própria crise em seu campo de atuação.

A Innovativa, empresa criada em parceria com outros oito sócios que há alguns anos se viram na mesma situação, oferece consultoria empresarial em diferentes áreas. Além disso, possui um cadastro de 800 gerentes, supervisores e diretores, que podem trabalhar de forma temporária cobrir licenças-maternidade, substituir um expatriado, por exemplo. É comum também que atuem em projetos específicos, que têm início, meio e fim.

A empresa fecha o contrato com a consultoria, o que reduz o risco de serem processadas na Justiça. “Aproveitamos esse momento de muitos desligamentos e de grande capital intelectual disponível para alocar pessoas no mercado de trabalho. Isso já acontece nos Estados Unidos e na Europa”, afirma.

Como outros chefes, ela perdeu o emprego pelo fato de trabalhar em uma empresa internacional, que decidiu eliminar sua função. “Apesar de a empresa ter escritório aqui, eu me reportava diretamente à matriz fora do Brasil. Quando houve uma reestruturação, a minha posição, assim como em outras regiões do mundo, foi extinta.”

O caminho encontrado pela ex-gerente é uma saída frequente para o enxugamento de cargos na chefia intermediária. “Muitos que no passado ocupavam essas posições passaram a montar empresas e a prestar serviços para antigos empregadores”, afirma Jorge Cavalcanti Boucinhas Filho, da FGV-EAESP.

Aqueles que conseguiram se manter no mercado de trabalho tradicional passaram a ter que desenvolver qualidades como flexibilidade e empreendedorismo. Ao mesmo tempo, as empresas também priorizam profissionais que entendem de tudo um pouco.

“A crise fez as empresas reverem custos, mas não podem simplesmente acabar com determinadas áreas. Interessam os profissionais mais generalistas, mais multitarefas”, afirma Paulo Dias, diretor da consultoria STATO. Na prática, a maioria dos gerentes e supervisores passou a ter de se sujeitar a salários ou posições inferiores.

TROCAS
Dados do Caged mostram que o crescimento de vagas formais em 2017 foi maior entre os trabalhadores com escolaridade de nível médio ou superior, que ocuparam postos antes destinados aos menos qualificados.

“Diferentemente de diretores e presidentes, contratar gerentes é mais fácil”, diz Luís Testa, da Catho. “E um gerente com anos de casa ganha mais que um novo.”

Apesar de o movimento ser considerado irreversível, a avaliação de parte dos especialistas é que, quando o país voltar a crescer, haverá um pico de demanda por profissionais qualificados, que vai beneficiar esses profissionais.

“Nos últimos meses, já temos visto um aumento nas contratações”, afirma Ricardo Basaglia, da Michael Page. “Se o país crescer, os gestores das empresas vão ficar no limite do que conseguem gerenciar.”

Boucinhas, da FGV, tem uma visão mais pessimista.

“Não vejo perspectiva de reversão em espaço curto de tempo. Quem conseguiu funcionar com uma estrutura mais enxuta manterá isso. É ruim do ponto de vista de distribuição de renda, mas faz parte da reengenharia produtiva dos nossos dias.”