Artigo de Regina Dorriguello, Diretora de Talent Development e Outplacement:

Falar sobre liderança é falar sobre um dos temas mais importantes – ou que deveria ser – para qualquer organização. Afinal, é ela quem dita o ritmo e a forma como as coisas devem ser feitas. Uma equipe com problemas em sua gestão até pode ter a clareza dos objetivos, mas certamente se perderá na forma e no tempo de entregar o seu melhor.

Mas por que encontramos tantas empresas enfrentando problemas relacionados à liderança? Vamos pensar: em sua esmagadora maioria, os líderes estão nesta posição porque eram excelentes tecnicamente; entregavam bem. Quando chegam à liderança, além de continuarem entregando, precisam gerenciar pessoas. Acontece que, na correria do dia a dia, os acionistas enxergam os resultados, não quem os entrega. Isso faz com que não consigamos ter clareza sobre o real trabalho do líder: ele continua fazendo ou mobiliza a equipe para que ela entregue?

Muitos líderes não buscam ajuda para resolver essa questão e desenvolver suas competências de gestão de pessoas. Levados pela necessidade de entrega de resultados, deixam de delegar, de desenvolver pessoas, de formar sucessores. Muitos sinais começam a aparecer: equipe desmotivada, aumento de absenteísmo, aumento de turnover e até mesmo impacto em resultados de pesquisa de clima. Com toda a rotina pesada, nem sempre as medidas necessárias são tomadas antes de um estrago ser causado. Reflexo disso é que mais da metade dos processos de Coaching realizados hoje para líderes vem com essa necessidade: desenvolver as competências de liderança para um profissional que é, sem dúvida, excelente tecnicamente.

É preciso ter claro que uma liderança bem-sucedida passa pelo entendimento que seu papel é o de engajar o time para um mesmo propósito e extrair da diversidade todas as suas potencialidades. É necessário ser presente, ouvir e conciliar a tarefa de estar atento aos resultados e liderar um time. A equação nem sempre fecha. No dia a dia, o peso de apresentar os resultados faz com que o líder deixe de lado a equipe e isso se reflete em falta de motivação, de entusiasmo e até boicotes. Entender que estar próximo da equipe e atento às necessidades das pessoas pode impulsioná-las a darem o seu máximo trará os melhores resultados certamente.

É claro que é uma tarefa e tanto unir pessoas diferentes – e a diversidade é obrigatória nas equipes –, desenvolvê-las, escutá-las, torná-las parte do todo e fazer com que elas marchem na mesma direção. Mas, independentemente do segmento de atuação, foram, são e sempre serão pessoas que levarão às empresas aos resultados. Que essas contem, então, sempre com o melhor direcionamento.

REGINA DORRIGUELLO é Palestrante e Diretora de Talent Development e Outplacement da consultoria STATO, de São Paulo. Atua no desenvolvimento de pessoas e em projetos de Demissão Responsável.

Regina Dorriguello