Entendimento que os valores sociais sofrem maior impacto do que os valores centrais e pessoais, quando tratamos da demissão de executivos, é achado de pesquisa de Mestrado de CEO da STATO, Rubens Prata

A perda do sobrenome corporativo e a dificuldade de lidar com a imagem externa e os relacionamentos são, para a maioria dos executivos, os principais impactos diante de uma situação de desligamento. A conclusão é da pesquisa conduzida por Rubens Prata, CEO da STATO – uma das principais consultorias especializadas em transição de carreira do País – , que investigou o tema em sua tese de Mestrado. Participaram do estudo 446 executivos, que passaram por processo recente de demissão.

“A relação entre trabalho e desemprego possui a capacidade de influenciar o estado emocional, psicológico e social das pessoas. Em um cenário de recessão, com uma massa de executivos em processo de transição de carreira, e sob os efeitos emocionais, psicológicos e sociais, é preciso entender como o ato da demissão e o desemprego influenciam a importância atribuída aos valores humanos individuais”, contextualiza Prata.

Conforme explica o CEO da STATO, existem três grandes grupos de valores: pessoais (que englobam questões como conhecimento e desenvolvimento), centrais (que dizem respeito a questões existenciais, como a remuneração) e os sociais (ligados ao convívio e interação social). Cada indivíduo possui uma escala própria de valores, que é moldada pelas respectivas inclinações e visão de mundo. “Os valores são adquiridos desde a infância e representam a hierarquia de ideias de uma pessoa. Em situações de grande impacto, como a perda de um ente querido ou um processo traumático de demissão, a importância atribuída a esses valores pode se alterar”, explica.

Na pesquisa, foi solicitado aos executivos que respondessem a uma escala de valores que permitia hierarquizar pela ordem de importância dada a cada um dos valores humanos. O resultado trouxe à tona a maior preocupação por parte dos executivos voltada aos valores associados a metas sociais, representadas por afetividade, apoio social e convivência, a despeito daqueles ligados à estabilidade, saúde e sobrevivência, como era de se esperar em casos de demissão.

“Os resultados do estudo apontam que a hierarquia dos valores humanos dos executivos é diretamente afetada pela demissão. Um exemplo simples foi a resistência que a maioria apresentou, durante as entrevistas, em utilizar a palavra ‘demissão’”, conta Prata. Conforme destaca o CEO da STATO, a maior parte dos executivos explicou o desligamento com argumentos como “houve um acordo entre as partes”, “eu completei meu ciclo”, “os desafios já não me motivavam mais”, entre outros.

Para Rubens Prata, é fundamental considerar que a amostra da pesquisa envolveu apenas executivos e que o resultado certamente seria diferente na comparação com outros níveis hierárquicos. “São pessoas que já realizaram se não todas, grande parte das aspirações pessoais. No campo ligado a questões existenciais, o fator financeiro não é uma preocupação em curto prazo porque receberam bônus, e uma rescisão considerável na saída”, destaca. “Quando observamos os níveis intermediários, os valores centrais são os que costumam se sobressair”, completa.

É por isso que, ao analisar o grupo constituído por C-level, as maiores mudanças na importância concedida aos valores se concentraram nas metas e necessidades sociais. “É comum que altos executivos se sintam inferiorizados diante de uma demissão. A dor da perda do sobrenome corporativo tem um impacto especial para esses profissionais”, resume o CEO da STATO.

Rubens Prata, CEO da STATO