Entrevista de Rubens Prata, CEO da STATO, para o app da Você S/A:

Por que disparar currículos é um dos maiores erros cometidos por quem é mandado embora
POR BARBARA NÓR

Ser demitido pode trazer uma dor igual ou maior do que a desencadeada pela morte da esposa ou do marido, de acordo com uma revisão de mais de 4 mil estudos sobre o tema feita pela London School of Economics, na Inglaterra. Se não há como evitar a tristeza, tem como tornar esse momento mais fácil e produtivo. “Os ciclos de emprego estão mais curtos”, diz Rubens Prata, presidente da consultoria STATO, em São Paulo. “A demissão, que antes era considerada um desastre, hoje faz parte do cotidiano e acontece com todo mundo.” O importante é ter uma estratégia para lidar com ela.

Análise financeira
Mandar currículo para todas as empresas e pedir várias indicações de contatos são atitudes comuns de pessoas que acabaram de ser demitidas. Mas elas devem ser evitadas. “A primeira coisa a fazer é tentar colocar a cabeça no lugar, sem se afobar para se recolocar”, diz Leonardo Berto, gerente de negócios da consultoria Robert Half, em São Paulo.

Segundo os especialistas, esse é um momento de reflexão. Comece fazendo uma avaliação de sua situação financeira. “Veja o que tem a receber, o que dispõe de reservas, se há dívidas”, diz Prata. “Com isso, você define o fôlego disponível para a busca de um novo emprego.” E ganha mais tranquilidade para procurar uma posição melhor, em vez de aceitar a primeira que aparecer. Como a recolocação costuma demorar meses, organizar-se financeiramente é fundamental parra fazer escolhas coerentes com seus objetivos.

Momento de reflexão
O próximo passo é fazer uma autoavaliação sincera sobre os motivos da demissão. “Antes de buscar uma nova posição, é importante entender o que você precisa melhorar”, afirma Berto. Vale aproveitar o intervalo para fazer um curso que desenvolva habilidades necessárias ou que ajude a definir se o próximo emprego deve ter um perfil diferente – a demissão pode ser uma oportunidade para mudar de carreira.

Networking estratégico
“Encare a recolocação como um trabalho”, diz Guilherme Malfi, Gerente da divisão de Recursos Humanos da Talenses, consultoria em São Paulo. “É bom acordar sempre na mesma hora, ler notícias, estudar o mercado e ter uma agenda.” E, em vez de procurar vagas, procure as pessoas certas. “Eu não recomendo enviar currículo ainda nessa etapa”, diz Prata, da STATO. Segundo ele, apenas 20% das vagas estão em sites de recrutamento. Os 80% restantes surgem do networking e das indicações de headhunters.

Portanto, o momento após demissão é de construir relacionamentos, para ser lembrado quando surgir uma posição. Não hesite em pedir para que contatos em comum o apresentem para pessoas da empresa em que você está interessado. “Quando conseguir marcar a conversa, conte sua história, o que aprendeu até agora na carreira e como quer contribuir e crescer no futuro”, orienta Prata.

Currículo bem feito
Não mais do que duas páginas – esse é o tamanho ideal de um currículo. O documento deve ser sucinto, mas suficiente para mostrar sua trajetória e o que você domina. Evite gafes como mandar para várias empresas ao mesmo tempo, com textos vagos e para posições que não tenham a ver com o seu perfil. E tome cuidado para não repetir o destinatário. “Já recebi seis currículos da mesma pessoa em um dia”, diz Malfi, da Talenses. “Isso desgasta a imagem do candidato.” Distribuir arquivos para todos os amigos também é perda de tempo, já que eles encaminharão as páginas para vagas aleatórias.

Com essas orientações em mente, fica mais fácil construir uma trajetória de aprendizado durante o tempo em que estiver sem crachá.

Rubens Prata, CEO da STATO